terça-feira, 24 de agosto de 2010

desculpa...mas nao lamento

Desculpa
que me perdi
por aí.

Desculpa
que tropecei.

Desculpa
se me enganei.

Desculpa.
Não me encontrei.

Não encontrei
ninguém.

Desculpa,
não sei onde fica.

Desculpa
a quem não me explica.

Desculpa
as coisas pequenas.

os telefonemas.

Desculpa
a minha demora

Desculpa
não ter ido embora.

Desculpa
os encantamentos.

Desculpa
os momentos
de magia.

Desculpa
mais este dia.

Desculpa
as desculpas
para não dormir.

e desculpa-me por não partir.

Se me desculpares
as feridas
desculpa-me as balas perdidas.

Desculpa
ter-te acertado.

Desculpa tê-lo feito
no segundo errado.

Mas não aceites
nenhum pedido,
de quem se tenha perdido.

Se me perdi por aí
desculpa o meu pecado
mas foi propositado
o esquecimento

Desculpa,
mas não lamento.


be happy


De manhã.
Passeias os dedos pelos meus braços.
Está calor, e vejo-te sorrir com a ténue luz que entra pelos buraquinhos perfeitos da persiana.
Deliciosa penumbra que nos protege, que expulsa o mundo de nós. Tens a voz rouca de quem sonhou toda a noite, de quem chamou por mim enquanto dormia. Conheço o teu sussurro.
arrepio-me até à espinha. Tocas-me nos lábios cada vez que me olhas... Embrulhas-me dentro de ti e respiro fundo. Tão fundo.
Chutamos os lençóis, desfazemos os cobertores. tudo amontoado nos nossos pés, só a pele nos nossos corpos.
O dia começou.
O nosso dia começou.
Apertas-me com força. Sinto-me a encostar a testa no teu coração.
A doçura das horas faz-me lembrar que é mais um dia perto de ti. Adoro o som dos segundos, o canto da rua agitada lá fora. Dentro do ninho, começo a expulsar a preguiça. Abres a janela, cantas aquelas musicas que te lembras de manhã com aquela voz desafinada e aguda. Fazes-me rir.
Despimo-nos juntos, vestimo-nos juntos. Saímos do quarto com a pressa de quem quer viver mais um dia. Como se fosse o primeiro. Como se fosse o último.
Corremos as escadas uma por uma, ris-te de mim quando tropeço o último degrau. Quando caio nos teus braços.
Lá fora o dia vai breve. Cá dentro amanheceu agora.
Lavamos os dentes, chapinhamos o lavatório com sabão de leite e mel.
Agarro-te com tanta força, e encosto a cabeça no teu ombro. Os dois. E um espelho á nossa frente.
Paralisados no tempo fixamos o reflexo.
Os teus traços fundem-se nos meus, os teus recortes encaixam em mim. Somos um só.
Sorrimos e não dizemos nada. Não precisamos de palavras.
Não queremos palavras.
Saímos já mais devagar. Despedes-te com um até já. Eu digo-te até ja ;)

beijinhu*